Deito os lenços ranhosos para o chão, afasto o cobertor e sento-me. - Afinal mal dei conta das horas passar. Gripes apanham o corpo e alma.
Obrigo-me a escrever, afinal já vai tempo demasiado longe de rascunhos, e a minha cabeça já não aguenta mais o fervilhar de teclas imaginarias. Dentro de mim uma maquina de escrever antiga e com um toque simples escreve todos os momentos que pode.
Mudei sem sair do mesmo sitio, a cidade que me acolhe é a mesma, os desconhecidos são os mesmos. A calçada ,que é preciso percorrer, está mais gasta mas continua igual, o autocarro é o mesmo mas com um destino mais longínquo. O desafio cresceu, e eu apanho-me no mundo dos crescidos. Absorvo tudo o que posso para mais tarde aplicar.
Mudei mas não mudei morada. O quarto levou uma volta que até cor-de-rosa usa, as memórias continuam na parede, mas em menos quantidade - acho que aprendo agora a ser selectiva.
Mudei mas o café é o mesmo, e a distancia entre pessoas mantém o mesmo milímetro afiado
Mudei e aprendi finalmente que nem sempre devemos esperar daqueles a quem entregamos o que temos e queremos .
O tempo mudou, o verão perdeu-se no caminho e nem quando volto ao ninho dos meus pais o tempo é igual.
Fiz mudanças que ainda não consigo processar e que guardo no bolso junto de papeis. Afinal, as mudanças não são repentinas e na minha cabeça há sempre agitação .
Mudei e não conheço esta sensação de medo e vontade de ficar bem quieta. Sempre quis ser e fazer.
Mudei mas não perdi o sensor de cuidar e salvar. Perdidos e achados.
Mudou-se e eu perdi o comando de pedido de auxilio.
Quem poderia adivinhar que vivo uma batalha campal na minha mente e sinceramente ainda não entendi bem porque raio isso acontece. Eu que dizia ser racionalmente correcta, e sabia sempre explicar-me. Afinal mudou qualquer coisa que não me apercebi.
A verdade é que quero regressar para aquilo que estava bem em mim, para aquilo que nao pedi que me levassem nem queria que roubassem.
Ella.

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